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Rebecca Eyre, MA, LMHC, é terapeuta de distúrbios alimentares e CEO do Project HEAL, uma organização sem fins lucrativos que oferece serviços diretos para ajudar as pessoas a superar obstáculos sistêmicos e financeiros para acessar o tratamento de distúrbios alimentares. Para ela, os esforços intencionais de perda de peso são inerentemente desordenados. “Fazer dieta dobra o risco de um distúrbio alimentar, e acho que o que isso realmente significa é que a alimentação desordenada dobra o risco de um distúrbio alimentar”, disse ela à Healthline. “É realmente perigoso brincar com isso, especialmente quando você considera como raramente fazer dieta leva aos resultados desejados.” Ela apontou para pesquisas indicando que a maioria das pessoas recupera mais de 50% do peso que perde dentro de 2 anos após o início de uma dieta. Essa recuperação de peso pode levar ao ciclo de peso – um padrão de dieta para perder peso, ganhar peso de volta e tentar perdê-lo novamente por meio de dieta. Levy disse que nossos corpos têm um peso definido em grande parte pela genética. A dieta força o corpo a se afastar de seu ponto de ajuste e, uma vez encerrada a dieta, o corpo fará o que puder para retornar ao ponto de ajuste, como desacelerar o metabolismo e aumentar o apetite.

A ideia de ter um “metabolismo lento” é uma das explicações mais comuns para a dificuldade de emagrecer. Muitas pessoas afirmam comer pouco, treinar e ainda assim não perder peso, atribuindo a culpa a um metabolismo naturalmente baixo. A ciência mostra que o metabolismo realmente varia entre indivíduos, mas a história é mais complexa do que simplesmente ter um organismo “lento”. Em grande parte dos casos, o que existe é uma combinação de fatores hormonais, comportamentais e adaptativos que reduzem o gasto energético ao longo do tempo.

O metabolismo é o conjunto de reações químicas que mantêm o corpo funcionando. Quando falamos em gasto calórico diário, ele é composto por quatro elementos principais: o metabolismo basal (energia necessária para manter funções vitais), o efeito térmico dos alimentos, o gasto com exercício e o NEAT, que corresponde aos movimentos involuntários e atividades do dia a dia. O metabolismo basal representa cerca de 60% a 70% do gasto energético total. É determinado principalmente pela quantidade de massa muscular, tamanho corporal, sexo e idade.

Pessoas com mais massa muscular tendem a ter metabolismo basal mais alto porque o tecido muscular consome mais energia em repouso do que o tecido adiposo. Isso explica por que indivíduos maiores ou mais musculosos geralmente queimam mais calorias mesmo sem se exercitar. Estudos publicados no American Journal of Clinical Nutrition mostram que a massa magra é o principal determinante do metabolismo basal. Por isso, a perda muscular ao longo dos anos — ou durante dietas muito restritivas — reduz o gasto energético e dificulta o emagrecimento.

Apesar dessas variações naturais, a diferença metabólica entre pessoas costuma ser menor do que se imagina. Pesquisas mostram que, entre indivíduos com mesmo peso e composição corporal semelhante, a diferença no metabolismo basal raramente ultrapassa 200 a 300 calorias por dia. Isso significa que, na maioria dos casos, o metabolismo não é tão “lento” a ponto de impedir completamente a perda de peso. O que frequentemente acontece é a chamada adaptação metabólica.

A adaptação metabólica ocorre quando o corpo se ajusta a um período prolongado de déficit calórico. Quando a ingestão de energia diminui por muito tempo, o organismo ativa mecanismos de economia. O metabolismo basal reduz-se, o gasto com atividades espontâneas cai e os hormônios relacionados à saciedade e ao gasto energético se alteram. Esse fenômeno é uma resposta evolutiva de sobrevivência: o corpo interpreta a restrição calórica como escassez de alimento e tenta preservar energia.

Estudos clássicos sobre esse processo foram conduzidos após o experimento de Minnesota, na década de 1940, e posteriormente confirmados por pesquisas modernas. Um estudo publicado no Obesity acompanhou participantes de um reality show de emagrecimento por anos e observou que, mesmo após a perda de peso, o metabolismo basal permaneceu reduzido. Isso indica que o corpo “aprende” a gastar menos energia após períodos de restrição severa, dificultando a manutenção do peso perdido.

Outro fator frequentemente ignorado é o NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis). Esse componente inclui movimentos como gesticular, mudar de postura, andar pela casa e pequenas atividades diárias. Estudos mostram que pessoas em déficit calórico prolongado tendem a se mover menos de forma inconsciente, reduzindo significativamente o gasto energético total. Essa redução pode chegar a centenas de calorias por dia, compensando parte do déficit criado pela dieta.

O papel dos hormônios também é fundamental. A leptina, produzida pelo tecido adiposo, sinaliza ao cérebro a quantidade de energia armazenada. Quando a gordura corporal diminui, a leptina cai, aumentando o apetite e reduzindo o gasto energético. A grelina, hormônio da fome, tende a subir durante dietas prolongadas. Já o hormônio tireoidiano T3, responsável por regular o metabolismo, pode diminuir em situações de restrição calórica severa. Estudos publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostram que essas alterações hormonais tornam o corpo mais eficiente em conservar energia.

O estresse crônico também influencia o metabolismo. Níveis elevados de cortisol estão associados à maior retenção de gordura abdominal, perda de massa muscular e redução da sensibilidade à insulina. Esse conjunto de fatores dificulta o emagrecimento e pode levar a uma percepção de metabolismo lento. O sono insuficiente agrava o problema, pois altera leptina, grelina e cortisol, criando um ambiente metabólico desfavorável.

A idade é outro elemento relevante. Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da massa muscular e, consequentemente, do metabolismo basal. No entanto, essa queda não é inevitável. Estudos mostram que o treinamento de força pode preservar ou aumentar a massa muscular em qualquer idade, mitigando a redução do metabolismo. Uma revisão publicada no Sports Medicine concluiu que o exercício resistido é uma das estratégias mais eficazes para manter o gasto energético ao longo da vida.

A alimentação também desempenha papel importante. Dietas muito restritivas, com baixa ingestão de proteína, aceleram a perda de massa magra e reduzem o metabolismo. Por outro lado, a ingestão adequada de proteína aumenta o efeito térmico dos alimentos e preserva o tecido muscular. Estudos indicam que dietas com maior teor proteico aumentam a saciedade e facilitam a manutenção do peso a longo prazo.

O conceito de “metabolismo lento” muitas vezes esconde outro fenômeno: a subestimação da ingestão calórica. Pesquisas mostram que indivíduos frequentemente consomem mais calorias do que acreditam, seja por porções maiores, lanches não contabilizados ou bebidas calóricas. Ao mesmo tempo, superestimam o gasto energético com exercícios. Isso cria a percepção de que o metabolismo é o problema, quando na verdade há um desequilíbrio entre ingestão e gasto.

No entanto, isso não significa que a dificuldade para emagrecer seja apenas falta de disciplina. A adaptação metabólica, as alterações hormonais e o contexto de vida moderno — com estresse, sono irregular e sedentarismo — criam um cenário complexo. O metabolismo responde ao ambiente. Se o ambiente é de restrição severa e estresse, ele se adapta para economizar energia. Se o ambiente é de nutrição adequada, treino de força e recuperação, ele se torna mais eficiente em gastar energia.

A abordagem mais eficaz para “acelerar” o metabolismo envolve preservar ou aumentar a massa muscular, manter ingestão proteica adequada, evitar dietas extremamente restritivas e priorizar sono e manejo do estresse. Pequenos aumentos no movimento diário também têm impacto significativo. Subir escadas, caminhar mais e reduzir o tempo sentado podem elevar o gasto energético sem necessidade de treinos extenuantes.

Em última análise, o metabolismo não é fixo nem imutável. Ele se adapta ao estilo de vida. Embora existam diferenças individuais, a maioria das pessoas pode melhorar o funcionamento metabólico com ajustes consistentes e baseados em evidências. O conceito de metabolismo lento existe em parte, mas raramente é a única explicação para a dificuldade de emagrecer. Compreender os mecanismos por trás dele permite adotar estratégias mais inteligentes e sustentáveis para alcançar e manter um peso saudável.

Referências Científicas

– Rosenbaum, M., Leibel, R. Adaptive thermogenesis in humans. International Journal of Obesity.

– Hall, K. D. et al. Metabolic adaptation following weight loss. Obesity.

– Müller, M. J. et al. Metabolic adaptation and body composition. American Journal of Clinical Nutrition.

– Levine, J. A. Non-exercise activity thermogenesis. Mayo Clinic Proceedings.

– Speakman, J. R. Energy expenditure and weight regulation. Nature.

– Dulloo, A. G. Adaptive thermogenesis and weight loss. British Journal of Nutrition.