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Rebecca Eyre, MA, LMHC, é terapeuta de distúrbios alimentares e CEO do Project HEAL, uma organização sem fins lucrativos que oferece serviços diretos para ajudar as pessoas a superar obstáculos sistêmicos e financeiros para acessar o tratamento de distúrbios alimentares. Para ela, os esforços intencionais de perda de peso são inerentemente desordenados. “Fazer dieta dobra o risco de um distúrbio alimentar, e acho que o que isso realmente significa é que a alimentação desordenada dobra o risco de um distúrbio alimentar”, disse ela à Healthline. “É realmente perigoso brincar com isso, especialmente quando você considera como raramente fazer dieta leva aos resultados desejados.” Ela apontou para pesquisas indicando que a maioria das pessoas recupera mais de 50% do peso que perde dentro de 2 anos após o início de uma dieta. Essa recuperação de peso pode levar ao ciclo de peso – um padrão de dieta para perder peso, ganhar peso de volta e tentar perdê-lo novamente por meio de dieta. Levy disse que nossos corpos têm um peso definido em grande parte pela genética. A dieta força o corpo a se afastar de seu ponto de ajuste e, uma vez encerrada a dieta, o corpo fará o que puder para retornar ao ponto de ajuste, como desacelerar o metabolismo e aumentar o apetite.

A ideia de que o metabolismo pode “travar” é extremamente popular, especialmente entre pessoas que tentam emagrecer e não conseguem ver resultados mesmo seguindo dieta e treino. Essa expressão é amplamente usada nas redes sociais e no senso comum, mas será que ela realmente existe do ponto de vista científico? A resposta é mais complexa do que um simples sim ou não. O metabolismo não “trava” no sentido literal, mas pode sim sofrer adaptações que reduzem o gasto energético e dificultam a perda de peso.

O metabolismo corresponde ao conjunto de processos que transformam nutrientes em energia para manter o funcionamento do organismo. O gasto energético total é composto por quatro principais componentes: metabolismo basal, efeito térmico dos alimentos, atividade física e termogênese de atividades não associadas ao exercício (NEAT). O metabolismo basal, responsável pela maior parte do gasto, é fortemente influenciado pela massa muscular.

Quando uma pessoa inicia um processo de emagrecimento, especialmente com redução calórica significativa, o corpo passa por adaptações fisiológicas. Uma das mais importantes é a redução do gasto energético, fenômeno conhecido como adaptação metabólica. Esse processo é bem documentado na literatura científica e explica por que o emagrecimento tende a desacelerar com o tempo.

Estudos publicados no International Journal of Obesity mostram que o corpo reduz o gasto energético além do que seria esperado apenas pela perda de peso. Isso significa que, mesmo após emagrecer, o organismo passa a gastar menos calorias do que antes para realizar as mesmas funções. Essa resposta é uma estratégia de sobrevivência, herdada de um contexto evolutivo em que a escassez de alimentos era comum.

Além da redução do metabolismo basal, o corpo também diminui o gasto energético com atividades espontâneas. O NEAT pode cair de forma significativa durante dietas prolongadas, muitas vezes sem que a pessoa perceba. Pequenas mudanças, como se movimentar menos ao longo do dia, podem representar uma diferença relevante no gasto calórico total.

As alterações hormonais também contribuem para essa sensação de “metabolismo travado”. A leptina, que sinaliza saciedade, diminui durante a perda de peso, enquanto a grelina, que estimula a fome, aumenta. Esse desequilíbrio hormonal torna mais difícil manter o déficit calórico. Estudos do New England Journal of Medicine mostram que essas alterações podem persistir por longos períodos, favorecendo o reganho de peso.

Os hormônios tireoidianos, especialmente o T3, também podem ser afetados. O T3 regula a velocidade do metabolismo, e sua redução durante dietas restritivas pode diminuir o gasto energético. Essa adaptação contribui para a sensação de fadiga e para a dificuldade em continuar emagrecendo.

Outro fator importante é a perda de massa muscular. Quando o emagrecimento ocorre sem estímulo adequado de treino de força e ingestão suficiente de proteína, o corpo pode perder músculo junto com gordura. Como o músculo é metabolicamente ativo, sua redução diminui o metabolismo basal, tornando o emagrecimento mais difícil.

A percepção de metabolismo lento também pode estar relacionada a fatores comportamentais. Muitas pessoas subestimam a ingestão calórica e superestimam o gasto com exercícios. Pequenos excessos ao longo do dia podem anular o déficit calórico sem que a pessoa perceba. Estudos publicados no American Journal of Clinical Nutrition indicam que a subestimação da ingestão é um dos fatores mais comuns em dificuldades de perda de peso.

O sono e o estresse também influenciam o metabolismo. A privação de sono altera hormônios relacionados ao apetite e reduz a sensibilidade à insulina. O estresse crônico eleva o cortisol, que pode favorecer o acúmulo de gordura abdominal e dificultar o emagrecimento. Esses fatores contribuem para a sensação de que o metabolismo não está funcionando corretamente.

A idade também é frequentemente associada à desaceleração metabólica. Embora o envelhecimento esteja ligado à perda de massa muscular e a mudanças hormonais, estudos recentes sugerem que o metabolismo basal se mantém relativamente estável até idades mais avançadas, quando controlados fatores como composição corporal. Isso reforça a importância do estilo de vida, especialmente da atividade física, na manutenção do metabolismo.

Então, o metabolismo “trava”? Do ponto de vista científico, não há um bloqueio completo do metabolismo. O que ocorre é uma redução adaptativa do gasto energético, combinada com alterações hormonais e comportamentais que dificultam a continuidade da perda de peso. Essa adaptação é real, mensurável e faz parte da fisiologia humana.

A boa notícia é que essas adaptações podem ser parcialmente revertidas ou minimizadas. O treino de força é uma das estratégias mais eficazes, pois ajuda a preservar ou aumentar a massa muscular, mantendo o metabolismo mais ativo. A ingestão adequada de proteínas também contribui para a manutenção do tecido muscular.

Evitar déficits calóricos extremos é outro ponto importante. Reduções moderadas de calorias tendem a provocar menos adaptação metabólica do que restrições severas. Em alguns casos, períodos de manutenção calórica podem ajudar a restaurar níveis hormonais e melhorar a resposta metabólica.

O aumento do nível de atividade diária também é fundamental. Pequenas mudanças no cotidiano, como caminhar mais ou reduzir o tempo sedentário, podem aumentar significativamente o gasto energético total.

O sono de qualidade e o manejo do estresse completam a estratégia. Dormir bem e reduzir o estresse ajudam a equilibrar hormônios relacionados ao metabolismo e ao apetite.

Em síntese, o conceito de “metabolismo travado” é uma simplificação de um fenômeno mais complexo. O metabolismo não para, mas pode se adaptar de forma a reduzir o gasto energético e dificultar o emagrecimento. Compreender esses mecanismos permite adotar estratégias mais eficazes e sustentáveis, alinhadas com a biologia do corpo humano.

Referências Científicas

– Hall, K. D. et al. Metabolic adaptation to weight loss. International Journal of Obesity.

– Rosenbaum, M., Leibel, R. Adaptive thermogenesis. International Journal of Obesity.

– Sumithran, P. et al. Hormonal adaptations to weight loss. New England Journal of Medicine.

– Levine, J. A. Non-exercise activity thermogenesis. Mayo Clinic Proceedings.